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Descrença no hexa gera cenário de apatia em relação a Copa do Mundo de 2026

A pouco mais de 50 dias para o início da Copa do Mundo, que será sediada em conjunto por Estados Unidos, Canadá e México, o clima de expectativa entre os brasileiros parece estar longe do ideal histórico. Uma pesquisa divulgada pelo Instituto Datafolha nesta segunda-feira, dia 20, revela que a caminhada rumo ao hexacampeonato não tem despertado o entusiasmo de outrora na população.

Segundo o levantamento, 54% dos brasileiros afirmam não ter qualquer interesse em assistir aos jogos da competição da Fifa, um dado que acende um sinal de alerta sobre a conexão atual entre o torcedor e a seleção nacional comandada pela CBF. Este índice de desinteresse é o maior já registrado em toda a série histórica do instituto, superando inclusive o período pré-Copa de 2022, no Catar, quando 51% da população se dizia pouco empolgada.

Foto: Instagram @institutodatafolha


Para chegar a esses números, o Datafolha ouviu 2.004 pessoas entre os dias 7 e 9 de abril, apresentando uma margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos. O cenário reflete um distanciamento progressivo, superando até mesmo o recorde negativo anterior da Copa da Rússia, em 2018, quando o desinteresse bateu a marca de 53% dos entrevistados no país do futebol. O detalhamento dos dados mostra uma fragmentação significativa na disposição do público em acompanhar o torneio.

Apenas 17% dos entrevistados demonstraram ter um “grande interesse” pela competição, o menor percentual já apurado pelo instituto, enquanto 20% afirmaram possuir um interesse médio. Outros 6% relataram ter pequeno interesse e 1% não soube responder ao questionamento. Quando questionados diretamente sobre a intenção de consumo do evento, cerca de 31% dos brasileiros foram enfáticos ao afirmar que sequer pretendem assistir às partidas do Mundial deste ano. A análise histórica evidencia como o encanto pela Seleção Brasileira tem minguado ao longo das décadas.

O ápice do engajamento popular ocorreu em 1994, ano da conquista do tetracampeonato nos Estados Unidos, quando 56% da população declarava grande interesse em seguir cada passo do time, e apenas 20% se mostravam indiferentes. Hoje, o cenário é inversamente proporcional, sugerindo que o desempenho técnico da equipe nos últimos ciclos e a falta de conquistas recentes contribuíram diretamente para que a “amarelinha” perdesse parte de seu apelo emocional junto ao grande público.

No recorte por gênero, a pesquisa aponta que o desinteresse é mais acentuado entre o público feminino, alcançando 62% das entrevistadas. Entre os homens, o índice de quem não pretende acompanhar ou não se importa com o Mundial é consideravelmente menor, mas ainda expressivo, atingindo 46%.

Esses números reforçam a dificuldade da seleção em furar a bolha dos torcedores mais assíduos e atrair o espectador ocasional, que tradicionalmente costumava se mobilizar em torno do evento, transformando o país em um cenário de festa a cada quatro anos. Curiosamente, o maior nível de entusiasmo reside justamente naqueles que ainda não tiveram o prazer de ver o Brasil ser campeão do mundo.

Entre os jovens de 16 a 24 anos, 24% afirmaram ter grande interesse em assistir aos confrontos na América do Norte. Esse fôlego juvenil contrasta com a apatia das gerações que presenciaram os títulos de 1994 ou 2002; na faixa etária entre 35 e 44 anos, por exemplo, o interesse fervoroso cai para apenas 13%, indicando que a memória das conquistas passadas não tem sido suficiente para sustentar a paixão atual.

Especialistas apontam que a forma como o torcedor consome futebol mudou, mas o desempenho da seleção brasileira nos últimos anos é o principal fiel da balança para este aumento da frieza popular. A sequência de eliminações em quartas de final e a rotatividade de treinadores parecem ter desgastado a relação de confiança e identidade com o time. Mesmo com a proximidade de um evento dessa magnitude e a possibilidade de novos talentos surgirem, a sensação de “obrigação” de torcer deu lugar a uma indiferença que atinge mais da metade da nação.

A menos de 50 dias do apito inicial, resta saber se o início efetivo da competição e a convocação final dos jogadores serão capazes de reverter esse quadro de apatia. Historicamente, o brasileiro costuma “entrar no clima” conforme as bandeiras são estendidas e os álbuns de figurinhas completados, mas os dados atuais do Datafolha sugerem que o desafio de reconquistar o coração do país será tão árduo quanto enfrentar as grandes potências mundiais dentro de campo. O hexa, se vier, terá a missão de não apenas decorar a galeria de troféus, mas de resgatar uma paixão que parece estar adormecida.

 
 
 

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