Futebol feminino inicia preparação para Copa do Mundo em meio a problemas estruturais
- bruxellasproducoes
- há 9 horas
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A Seleção Brasileira Feminina de Futebol abre sua temporada de 2026 com três amistosos internacionais válidos pela primeira Data Fifa do ano. Já em preparação para a Copa do Mundo de 2027, que será disputada no Brasil, a equipe comandada por Arthur Elias enfrenta fora de casa Costa Rica, Venezuela e México. Os amistosos serão os últimos antes do FIFA Series, em abril, torneio que contará com Canadá, Zâmbia e Coreia do Sul. A estreia será contra a Costa Rica, em Alajuela, no dia 27 de fevereiro. Depois, o Brasil encara a Venezuela, em Toluca, no dia 4 de março, e fecha a série contra o México, na Cidade do México, em 7 de março.

Foto: Rafael Ribeiro/CBF
Serão testes importantes para avaliar o elenco e ajustar estratégias rumo ao Mundial. A última convocação trouxe 26 atletas, reunindo nomes experientes e jovens talentos que atuam em diferentes ligas ao redor do mundo. A lista anunciada na sede da CBF no Rio de Janeiro inclui: goleiras Lelê (Corinthians), Thaís (Benfica) e Cláudia (Cruzeiro); zagueiras Tarciane (Lyon), Mariza (Tigres), Thaís Ferreira (Corinthians) e Lauren (Atlético de Madrid); laterais Yasmim (Real Madrid), Fê Palermo (Palmeiras), Tamires e Gi Fernandes (Corinthians), Isabela (PSG); meio-campistas Duda Sampaio e Ana Vitória (Corinthians), Maiara (Angel City), Brena (Palmeiras) e Luana (Orlando Pride); e atacantes Kerolin (Manchester City), Bia Zaneratto e Tainá Maranhão(Palmeiras), Gabi Zanotti e Jaque (Corinthians), Jhennifer (Tigres), Luany (Atlético de Madrid), Adriana (Al-Qadsiah) e Geyse (América-MEX).
Enquanto a Seleção se prepara, o futebol feminino brasileiro enfrenta dilemas estruturais. O Brasileirão A1 começou no último dia 12 com um campeonato ampliado para 18 clubes, mais jogos e maiores premiações. Porém, ainda há gargalos que dificultam a consolidação da modalidade, como a falta de projetos sólidos em alguns clubes e a tolerância da CBF diante de descumprimentos de regras.
Casos recentes ilustram o cenário. Após perder seu patrocinador máster, o Real Brasília, presente na elite desde 2021, anunciou que não disputaria o torneio em 2026 mantendo apenas o time masculino. O Fortaleza, semifinalista da A2 em 2025, conquistou vaga na primeira divisão, mas encerrou sua equipe feminina devido à reestruturação financeira após o rebaixamento do masculino para a Série B. Situações como essas mostram a fragilidade dos projetos femininos em clubes tradicionais.
Mesmo projetos estruturados, como os do Corinthians (atual campeão da Libertadores) e do Palmeiras (atual campeão brasileiro), encontram obstáculos. Finalistas da Supercopa do Brasil, cuja premiação foi de R$ 1 milhão para o Palmeiras, os dois clubes convivem com dificuldades financeiras e de gestão. Após a conquista, Leila Pereira, presidente do Palmeiras, destacou que os custos de mandar jogos no Allianz Parque são altos e que o futebol feminino, com receitas menores, não consegue arcar da mesma forma que o masculino.
“A valorização do futebol feminino é uma questão de cultura. Precisamos melhorar essa parte financeira. A receita não é muito grande, principalmente pela televisão”, afirmou Leila Pereira.
Este ano, a CBF anunciou que pagará R$ 20 mil aos times cujos jogos forem transmitidos nacionalmente, além de R$ 720 mil pela participação na primeira fase do Brasileirão A1. Em nota, a entidade afirmou que tem ampliado investimentos e fortalecido acordos comerciais e de direitos de transmissão para dar maior sustentabilidade ao ecossistema do futebol feminino. No entanto, reiterou que a responsabilidade pelo desenvolvimento contínuo da modalidade é compartilhada com os clubes.
O contraste entre a preparação da Seleção e os problemas internos do futebol nacional mostra que, além de vitórias em campo, o Brasil precisa avançar na estrutura e na cultura esportiva para consolidar o protagonismo das mulheres no futebol. A convocação reforça o talento disponível, mas a realidade dos clubes evidencia que ainda há um longo caminho para que o futebol feminino seja tratado com a mesma seriedade e estabilidade que o masculino.




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